calendário de actividades

27 de outubro de 2009

Atenção, Professores e Alunos do 8º Ano : eis excerto da obra "Sonho de uma Noite de Verão"

SONHO de Uma NOITE de VERÃO – adaptação de Hélia Correia, da obra de William Shakespeare


Fotografia de Hélia Correia
Personagens:

TESEU, Duque de Atenas
HIPÓLITA, Rainha das Amazonas, noiva de Teseu
EGEU, cortesão, pai de Hérmia
Séquito de nobres e de servidores (entre os quais Filostrato)

Os Jovens Apaixonados:

HÉRMIA
HELENA
DEMÉTRIO
LISANDRO

Os Artesãos – Actores:

MARMELO, o carpinteiro
ATARRACHADO, o marceneiro
CANELAS, o tecelão
GAITINHAS, o que conserta os foles
BIQUINHO, o funileiro
LINGRINHAS, o alfaiate

O Povo das Fadas:

1 Fada
3 Fadas Cantadeiras
4 Fadas:
FLOR-DE-ERVILHEIRA
MOSTARDINHA
TEIA DE ARANHA
GRÃO DE POEIRA
TRAQUINAS, o duende
TITÂNIA, Rainha das Fadas
OBERON, Rei dos Elfos e marido de Titânia
Séquito de fadas


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ACTO I



CENA I


TESEU, HIPÓLITA e SÉQUITO


TESEU – Querida noiva, que feliz eu estou por nos irmos casar tão brevemente.


HIPÓLITA – Mais feliz do que eu não estais, meu Duque.


TESEU – Quem diria, Rainha das Guerreiras, que entre nós dois a guerra cessaria tendo este bom final por solução.


HIPÓLITA – É certo. Vós e eu, chefes os dois de dois países em combate intenso. E eis-nos ambos ao amor rendidos.


TESEU – Atrás de vós andei com minha espada e com meu coração vos sigo agora.


HIPÓLITA – Que passe a noite de hoje bem depressa, que a lua ajude o tempo a avançar.


TESEU – E que a minha cidade, a bela Atenas, prepare as festas para as nossas bodas com um entusiasmo igual ao nosso. Que haja alegria e riso em toda a parte!


Entram Egeu com a sua filha Hérmia, e Lisandro e Demétrio.


EGEU – Duque de Atenas, paz. Eu te saúdo.


TESEU – Graças, Egeu. O que te traz aqui?


EGEU – A maior das vergonhas. Minha filha. É dela que me venho a vós queixar. Chega à frente, Demétrio. Este, senhor, tem a minha palavra de que pode casar com ela. E este, anda, Lisandro,
atirou-lhe o feitiço do amor. Sim, sim, rapaz, não negues que lhe deste poemas e prendinhas; que cantaste em noite de luar sob a janela do seu quarto suaves melodias de forma que o juízo lhe faltou e no seu coração a obediência deu lugar à mais feia rebeldia. De maneira, Senhor, que se ela teima em não me obedecer, venho pedir que apliques nela a lei desta cidade: A filha, por direito, me pertence e eu faço com ela o que quiser. Se não casar com quem eu determino, por essa lei à morte é condenada.


TESEU – Hérmia, menina, que me dizes tu? Olha que um pai é como um deus aqui. Foi ele quem te fez, como um oleiro faz do barro uma taça. Assim também te pode ele destruir quando quiser.
Demétrio é em tudo um cavalheiro.


HÉRMIA – E Lisandro também.


TESEU – Não digo que não. Mas devo ouvir o que me diz teu pai. Para ele, Lisandro é bem pior.


HÉRMIA – Só queria que ele o visse com meus olhos.


TESEU – Tenta tu vê-lo com os do teu pai.


HÉRMIA – Perdoai, Senhor Duque, o atrevimento. Não sei o que me torna mais corajosa. Mas podeis por bondade esclarecer-me sobre o que me acontece se eu teimar em não me querer casar com aquele homem?


TESEU – Pelas leis desta terra, ou morrerás ou deves dar entrada num convento.


HÉRMIA – Seja então o que for. Não casarei.


TESEU – Pensa bem, filha, não te precipites. Tens até de manhã para ponderar. Ou casas com Demétrio, ou morres, ou fechada num convento te acharás.


DEMÉTRIO – Muda as tuas ideias, minha querida. E tu, Lisandro, rende-te ao direito.


LISANDRO – Se o pai gosta de ti, meu bom Demétrio, ele que case contigo e dê-me a filha.


EGEU – Goza à tua vontade. A filha é minha e vou dá-la a quem me apetecer.


LISANDRO – Ó Duque, eu sou tão rico quanto ele e quanto ele bem-nascido sou. Ou talvez mesmo mais. Mas o que conta é que Hérmia me ama, a mim. Este rapaz andou a cortejar a bela Helena e ela retribuiu-lhe com paixão. E agora vede o louco, o inconstante!


TESEU – E eu devo confessar que já me cansa tamanha discussão. Tenho a cabeça cheia de outros assuntos importantes, como o meu casamento. Egeu, Demétrio, vinde ajudar-me a preparar as festas. Tu, minha linda, faz os impossíveis para cumprires a vontade de teu pai.
Ah, querida rainha, vós que tendes? Esta terrível cena incomodou-vos. Vós os dois, caminhai à minha frente. Depois conversaremos se houver tempo.


Saem todos excepto Hérmia e Lisandro.



LISANDRO – Ah, que pálida estás, amada minha.


HÉRMIA – Ah, que desgraça foi, amado meu, na cruel lei de Atenas ter nascido.


LISANDRO – E, contra a lei, o Duque nada pode.


HÉRMIA – Ainda que o quisesse?


LISANDRO – Ainda é assim. A lei é lei. Não poderá mudá-la o governante. A cargo tem apenas
zelar para que a cumpra toda a gente.


HÉRMIA – Paciência, então. Aceito a minha pena. Que à morte ou ao convento me condenem.


LISANDRO – Não, Hérmia, espera. Há uma esperança ainda. Tenho uma querida tia, que é viúva e que nuca foi mãe. É como um filho que ela me vê e ama. A sua casa fica já para além deste ducado. A lei de Atenas não se exerce ali. Terás coragem para lá ires comigo? Nada haverá que impeça o casamento.


HÉRMIA – Meu Lisandro, nem penso em hesitar.


LISANDRO – Ouve-me então. Recordas-te do bosque
onde uma vez tu com Helena foste colher as flores de Maio?


HÉRMIA – E onde, Lisandro, tu passavas também e nos achaste?


LISANDRO – Pois aí mesmo deverás ir ter a coberto da noite. Não tens medo?


HÉRMIA – Juro que não. Estarás à minha espera?


LISANDRO – Sem falta, lá estarei. Depois iremos
para a casa da minha querida tia. Não faltes, tu.


HÉRMIA – Não falto.


LISANDRO – Oh, eis Helena.


Entra Helena.


HÉRMIA – Que pressa, bela Helena. Onde vais tu?


HELENA – Chamas-me bela, quando, para Demétrio, a bela és tu? São estrelas os teus olhos,
melodia sem par a tua voz. Ai, se me fosse dado, se eu pudesse apanhar por contágio essa beleza,
ficar com teu aspecto, tua fala, teria o mundo aos pés, se conseguisse que Demétrio voltasse para mim. O resto te entregava de bom grado. Ensina-me, Hérmia, diz-me com que jeito conseguiste chegar-lhe ao coração.


HÉRMIA – Só lhe franzo o sobrolho. E ele, caído! …


HELENA – Mais consegue isso do que o meu sorriso.


HÉRMIA – Digo-lhe más palavras: não me larga!


HELENA – E eu nem a suplicar sei comovê-lo.


HÉRMIA – Quanto mais o detesto, mais ele me ama.


HELENA – Quanto mais eu o amo, mais me odeia.


HÉRMIA – Daquele desvario não sou culpada.


HELENA – É a tua beleza. Quem me dera ter culpa semelhante.


HÉRMIA – Mas sossega. Demétrio nunca mais me torna a ver. Lisandro e eu deixamos esta Atenas que tão perfeita me parecia outrora. A lei que nos impede de casar tornou-a num inferno para nós.


LISANDRO – Helena, nós contamos-te um segredo. Vamos fugir de Atenas.


HÉRMIA – Naquele bosque onde tanta vez fomos colher flores, como boas amigas, tu e eu,
tenho encontro marcado com Lisandro mal a noite cair. Não faltes, querido.


Sai Hérmia.


LISANDRO – Hérmia, não faltarei. Adeus, Helena. Possa Demétrio amar-te novamente.
Sai Lisandro.

HELENA – Felicidade de uns, pena dos outros. Toda a Atenas diz que eu sou tão bela quanto Hérmia o é. Mas não para Demétrio. E ninguém o consegue demover. O amor transtorna todo o raciocínio e já não deixa ver o que antes vimos. Enquanto não caiu sob o feitiço dos olhos de Hérmia, tudo o que depois veio a dizer-lhe a ela, a mim dizia. Jurava ser só meu. E de repente
tudo ficou a cinzas reduzido. Já sei: vou a correr denunciar Junto a Demétrio o que Hérmia planeou. Ele não deixará de ir atrás dela pelo bosque dentro. E eu atrás dele irei. Verei o seu olhar agradecido por ter chegado a tempo de a deter. E isso me bastará. Talvez, porém,
repare em mim de novo nesse instante.







Cena II

Entram MARMELO, o carpinteiro; e ATARRACHADO, o marceneiro; e CANELAS, o tecelão; e GAITINHAS, o que conserta os foles; e BIQUINHO, o funileiro; e LINGRINHAS, o alfaiate.

MARMELO – Eh, malta, está cá toda a companhia?

CANELAS – Era melhor chamares de um modo geral, homem a homem, de acordo com os papéis.

MARMELO – Ora aqui está então a lista com os nomes de toda a gente que vai representar na nossa peçazinha para o Duque e para a Duquesa, na noite do dia do seu casamento.

CANELAS – Pedro Marmelo, faz assim as coisas: primeiro dizes do que trata a peça; e depois lês os nomes dos actores; a ver se assim chegamos a algum lado.

MARMELO – Caramba! A nossa peça chama-se “A tristíssima comédia e a ainda mais cruel morte de Píramo e de Tisbe”.

CANELAS – Palavra de honra que é uma belíssima peça, e muito divertida, sim, senhores. Então agora, ó Pedro Marmelo, chama os actores conforme a lista. Senhores, afastem-se uns dos outros um bocado.

MARMELO – Respondam-me conforme eu for chamando. O Nicolau Canelas, tecelão?

CANELAS – Presente. Diz que papel eu faço e continua.

MARMELO – Tu, Nicolau Canelas, vais fazer de Píramo.

CANELAS – E quem é Píramo? Um apaixonado ou um tirano?

MARMELO – É um apaixonado que até se mata por amor e tudo.

CANELAS – Ora bem, isso pede algumas lágrimas para ser bem desempenhado. A audiência que se cuide, vou fazer chorar as pedras, vou arrasá-los à força de comoção. Se bem que a minha vocação puxe mais para os tiranos.

Sacar de uma espada
e em menos de nada
com uma estocada
cortar a cabeça
de quem me apareça
e a morte mereça
por estar contra mim!

Isto é que é estilo! Ora bem, então diz lá o nome dos outros actores. Eu, para fazer de apaixonado, não posso representar com tanta energia. Tem de ser uma coisa mais sentimental.

MARMELO – Gaitinhas, o que conserta os foles, onde está?

GAITINHAS – Aqui, Pedro Marmelo.

MARMELO – Gaitinhas, tu vais fazer de Tisbe.

GAITINHAS – E quem é Tisbe? Um cavaleiro andante?

MARMELO – É a miúda por quem Píramo se apaixona.

GAITINHAS – Oh, não, que pouca sorte. Não me obriguem a fazer de mulher. Tenho a barba a nascer.

MARMELO – Não faz mal: essa Tisbe vai usar uma máscara; e podes falar tão fininho quanto quiseres …

CANELAS – Ai, eu também quero pôr uma máscara, deixa-me também fazer de Tisbe. Ora ouve só esta vozinha extraordinária: “Tisne, Tisne” – “Ai, Píramo, meu querido! Aqui está a tua amada Tisne, a tua esposa!”

MARMELO – Não, senhor. Tu és Píramo e o Gaitinhas a Tisbe.

CANELAS – Pronto, anda lá com isso.

MARMELO – Lingrinhas, alfaiate?

LINGRINHAS – Cá estou, Pedro Marmelo.

MARMELO – Tu vais fazer de mãe da Tisbe. Tomás Biquinho, funileiro?

BIQUINHO – Aqui.

MARMELO – Fazes de pai de Píramo. Eu sou o pai da Tisbe. Tu, carpinteiro Atarrachado, ficas com o papel de leão. E espero que a peça seja do agrado.

ATARRACHADO – Tens as falas do leão já escritas? Se já estão escritas dá-mas, por favor, porque eu sou lento a decorar as coisas.

MARMELO – Podes improvisar. É só rugir.

CANELAS – Ai, deixa-me também fazer de leão. Rugirei que será um consolo a quem me ouvir. Até o próprio Duque há-de dizer: “Que ele ruja outra vez! Mais outra vez!”

MARMELO – Se rugisses bem demais, assustavas a Duquesa e as suas damas que se haviam de pôr todas a gritar: e à conta disso, éramos todos enforcados.

TODOS – Coitadinhos de nós, todos para a forca!

CANELAS – Está bem, é certo que se as senhoras ficassem não podiam depois remediar a coisa senão mandando-nos enforcar. Mas eu tornava a minha voz tão terna como um arrulhar de pomba. Confundiriam o meu rugido com a canção de um rouxinol …

MARMELO – Não, senhor, não, tu tens outro papel. Serás o Píramo. Olha que o Píramo é um belo homem. Um homem como deve ser, dos que não temem ser olhados à luz do Sol. Uma personagem gentil, um cavalheiro. Por isso, tu é que tens de fazer de Píramo.

CANELAS – Está bem, vá lá, fico com o papel. E que barba hei-de usar?

MARMELO – Olha-me que pergunta! A que quiseres.

CANELAS – Pois porei uma barba cor de palha, ou amarelo-torrado, ou então vermelha, ou então de oiro como uma moeda …

MARMELO – Vê lá se acabas por não pôr barba nenhuma … Bom, meus senhores, já têm os papéis. E agora peço, recomendo, é meu desejo que me decorem tudo rapidamente; marcamos já encontro lá no bosque, e ali ensaiaremos ao luar. Pois temo que se ensaiássemos na cidade tivéssemos muitos mirones à nossa volta e os nossos planos deixassem de ser secretos. Eu entretanto faço a lista dos adereços que vão ser necessários. Por favor, não me falhem.

CANELAS – Lá estaremos e lá poderemos ensaiar facilissimamente e com bravidez. Não poupem esforços, dai o vosso melhor! Tchau, tchau!

MARMELO – Encontramo-nos ao pé do carvalho do Duque.

CANELAS – Mai’nada! Lá estaremos nós sem falta!







ACTO II
Cena I


Entra uma FADA por um lado e o DUENDE TRAQUINAS pelo outro.


TRAQUINAS – Olá, pequena fada. Onde vais tu?

FADA (cantando) :


Refrão


Por valados e por montes,
Por tapadas e jardins,
Por fogueiras e por fontes,
Silvas, urzes e alecrins,
Mais veloz que a Lua ou Marte,
Vagueio eu por toda a parte.


Servindo a Rainha – Fada
venho orvalhar a entrada
da sua casa redonda
para que a relva cresça tanto
que quem olhar este encanto
de intimidade se esconda.


As primaveras dos prados
trazem na roupa engastados
rubis que ela lhes quis dar.
Pra mostrar quanto aprecia
que as flores, seja noite ou dia,
não deixem de a acompanhar.
Deu-me a rainha trabalho
e umas gotinhas de orvalho
agora recolher vou.
E as flores porão nas orelhas
as delicadas centelhas
que o luar ali deixou.


E adeus, dos imortais versão labrega,
porque a Rainha dentro em pouco chega.


TRAQUINAS – Pois para aqui também o Rei quer vir fazer a sua festa desta noite.
Toma cuidado, não vá ele ver a Rainha. Porque Oberon, o Rei dos Elfos, meu senhor, e seu marido, está pior do que uma fera.


FADA – Com quem? Porquê?


TRAQUINAS – Com a Rainha das Fadas, com Titânia.


FADA – Sua mulher! Pois ela que lhe fez?


TRAQUINAS – Aquele menino que ela mandou vir da Índia para ser seu pajem, sabes?


FADA – Sim. O que há com ele?


TRAQUINAS – Oberon quer que ele entre para o seu séquito. Diz que ele já tem idade para deixar as saias de Titânia.


FADA – Titânia gosta tanto do menino … É a luz dos seus olhos. Coroa-o de flores e tudo … Claro que o não quer dar a Oberon.


TRAQUINAS – Por isso se acham tão zangados um com o outro. Mal se cruzam, no prado ou na floresta, junto das límpidas fontes ou sob o brilho cintilante das estrelas, logo desatam numa grande guerra. Os elfos e as fadas que os acompanham têm tal medo que se escapam e correm a esconder-se nas tacinhas das bolotas …

FADA – Ou muito me engano ou tu és o malandro do duende a quem chamam Traquinas. Não serás tu aquele que assusta as raparigas da aldeia e rouba a nata do leite, e mói o que não é para ser moído, e faz com que as mulheres batam e batam na sua batedeira sem conseguirem que a nata se torne manteiga, e impede a cerveja de levedar, e leva os caminhantes a perderem-se na noite e ainda ri das suas aflições? E àqueles que te chamam duendezinho querido, e fofinho, fazes o trabalho todo e dás-lhes a melhor das sortes. És ou não?


TRAQUINAS – Tu bem o dizes. Sou esse que anda alegremente pela noite; e invento brincadeiras para fazer rir Oberon. Por exemplo, eu imito o relinchar da égua e engano com ele o cavalo mais nutrido. Ou então, disfarço-me de pau de canela e ponho-me dentro da tigela do ponche que uma velha linguaruda se prepara para beber. E quando ela chega a tigela à boca … eu salto-lhe para os beiços e ela entorna o ponche todo pelo cachaço abaixo … Ou uma tiazinha, enquanto conta mais uma série de desgraças, toma-me por uma tripeça, e vai para se sentar, e eu saio-lhe de baixo … Catrapum! Lá cai ela de focinho no chão! E o pessoal à volta, de mãos nas ancas, ri até se engasgar … Nunca passaram um melhor bocado … Ai, mas agora, fada, chega-te bem para lá que o meu Rei Oberon está a chegar.



FADA – E aí vem a minha Rainha. Ai, quem me dera que ele se sumisse daqui para fora!




Entram Oberon, Rei dos Elfos, por uma porta, com o seu séquito; e Titânia, a Rainha das Fadas, por outra, com o dela.




OBERON – Orgulhosa Titânia, mau encontro este que a luz da lua nos revela.

TITÂNIA – Tu, invejoso?! Fadas, afastai-vos. Arreneguei-lhe a cama e a companhia.

OBERON – Pára, atrevida. Sou o teu marido.

TITÂNIA – Devia obedecer-te? Não o esperes.

OBERON – Eu não exijo muito. Simplesmente quero o teu protegido para meu pajem.

TITÂNIA – O teu querer não é minha vontade. Este menino é filho de uma amiga, uma grande princesa lá das Índias que morreu e o deixou ao meu cuidado. Pela sua memória o crio e estimo, pela sua memória não to dou.

OBERON – Mas o menino já cresceu bastante. Junto com os meus elfos deve estar.


TITÂNIA – Não. O menino é meu. Quero-o comigo.

OBERON – E quanto tempo irás aqui ficar?

TITÂNIA – A noite inteira. Se quiseres connosco dançar de roda e divertir-te, vem. Se não, deixa-me em paz. Mais nada digo.

OBERON – Se me deres o menino …

TITÂNIA – Nem por sombras, nem por todo o teu reino. Fadas, vamo-nos. Não me chame eu Titânia se ficar.


Saem TITÂNIA e as FADAS.



OBERON – Vai-te, então, vai. A afronta que me fazes, não descanso eu enquanto a não pagares. Traquinas, chega aqui. Conheces tu uma flor que se chama amor-perfeito?

TRAQUINAS – Uma bela flor roxa? Sim, conheço.

OBERON – Então, traz-me depressa um ramo delas. É que existe em tais flores uma magia. Se espremermos o sumo que elas deitam para cima dos olhos de quem dorme, faremos a pessoa, ao acordar, apaixonar-se por quem vir primeiro.


TRAQUINAS – Irei tratar já disso. Mas a quem projectais vós fazer essa partida?

OBERON – À Rainha Titânia, minha esposa. Mal ela adormecer, deito-lhe o sumo dos amores-perfeitos sobre as pálpebras. E a primeira criatura viva que ela calhar de ver ao despertar, seja macaco, lobo, touro ou urso, leão ou burro, nela acordará um violento amor. E antes que o encanto seja por mim desfeito através de outra poção que só de mim é conhecida, ela me entregará o rapazinho. Assim consigo aquilo que tanto quero.

O duende Traquinas sai. Ouve-se um barulho de vozes.


OBERON – Vem lá alguém. Eu torno-me invisível e fico aqui para ver o que se passa.

Entram DEMÉTRIO e HELENA que o segue.

DEMÉTRIO – Eu não gosto de ti, deixa-me em paz. Onde estarão Lisandro e Hérmia, a bela? Uma me mata, o outro vou matar. Disseste-me que estavam neste bosque; e eu dou em louco sem os encontrar. Tu vai-te embora e não me sigas mais.

HELENA – Atrais-me, como o íman ao metal.

DEMÉTRIO – E que culpa tenho eu? Tento enganar-te? De modo algum. Eu falo sinceramente. Já não gosto de ti. Digo e repito.


HELENA – E quanto mais o dizes, mais te quero. Eu sou o teu cãozinho, ão ão. Tu bates-me e eu rolo-me aos teus pés. Ão ão. Bem podes tratar-me como um cão. Pontapear, bater-me, maltratar-me. Mais não peço senão seguir-te. Isso me bastará.


DEMÉTRIO – Tu não me irrites mais. Fico doente só de olhar para ti.

HELENA – E eu então morro se te não ponho a vista.

DEMÉTRIO – Tem vergonha. Uma nobre menina como tu a vir sozinha ao bosque atrás de um homem.

HELENA – Sozinha, não. Tu és o meu mundo inteiro.

DEMÉTRIO – Pois vou fugir, esconder-me atrás das moitas, e abandonar-te aos animais selvagens.

HELENA – Mais cruéis do que tu não podem ser. Foge, se queres. É próprio dos cobardes.

DEMÉTRIO – Se me seguires para o meio da floresta, eu não garanto a tua protecção.

HELENA – Ai, onde quer que estejas está meu mal. Que hei-de eu fazer, Demétrio? Uma mulher não pega em armas pelo seu amor.


Sai DEMÉTRIO.


HELENA – Ai, vou atrás de ti, sem hesitar, nem que por tuas mãos deva morrer.



Sai HELENA.


OBERON – Adeus, beleza. Antes de abandonares esta floresta, eu juro que será ele quem correrá atrás do teu amor.

Entra o duende TRAQUINAS.


OBERON – Trouxeste as flores?

TRAQUINAS – Pois trouxe. Aqui as tens.

OBERON – Dá-mas, então. Há um lugar no bosque onde o tomilho deita o seu aroma e as primaveras e violetas crescem. Sob um dossel de rosas-trepadeiras, com hera e madressilva entretecidas, é que Titânia dorme algumas noites, embalada por danças e cantigas. Uma serpente despe a sua pele de prata e ouro para a recobrir. E eu vou deitar-lhe o sumo sobre os olhos de modo a dar-lhe odiosas ilusões. Traquinas, tu tens mais uma missão.


TRAQUINAS – Outra, senhor? Que queres que eu faça agora?


OBERON – Leva um bocado deste sumo mágico e procura no bosque. Há uma jovem que está apaixonada por um homem que a trata com desdém. Deita-lhe o sumo quando ele adormecer, de tal maneira que ao acordar a ame mais do que ela lhe quer agora.

TRAQUINAS – E como os vou achar?

OBERON – O homem é um nobre ateniense. Logo pela maneira de vestir o reconhecerás.

TRAQUINAS – Pois aqui vou.

OBERON – Volta logo ao primeiro cantar do galo.

TRAQUINAS – Farei exactamente como dizes.


Cena II


Entra Titânia, Rainha das Fadas, com o seu séquito.



TITÂNIA – De mãos dadas, em roda, dançareis, e cantareis uma canção de encanto. E depois, num instantinho, ireis caçar as lagartas que vivem nas roseiras. E dar guerra aos morcegos. Com a pele das suas asas é que se fabricam os casacos dos elfos. De vós, umas levai para longe o mocho barulhento que grita a noite inteira e a quem a nossa condição de imortais deixa espantado. Cantai agora para me adormecerdes. Ide depois aos vossos afazeres.

As FADAS cantam:

PRIMEIRA FADA -
Longe da vista, serpente,
cobra da língua rachada.
Não quero aqui bicharada
para que a Rainha adormeça
muito sossegadamente.
Vai-te, ó verme peçonhento,
que no musgo desse assento
pousará ela a cabeça.


SEGUNDA FADA –
Vai-te, aranha tecedeira,
vai-te, aranhiço medonho,
para bem longe do sonho
que a Rainha quer sonhar.
Que não fique na clareira
nem caracol nem minhoca.
Cai do tronco, sai da toca,
busca, besouro, outro lar.


TERCEIRA FADA –
Vai para longe, corre, ouriço,
leva os espinhos contigo,
que bem podes ser um perigo
para a pele da Rainha – Fada
que aqui vem dormir. Por isso,
foge, ó sapo, que és tão feio.
Que se ela te vê, receio
que me caia desmaiada.


REFRÃO (Coro) :


Hás-de, ó rouxinol, cantar,
até ao romper do dia
uma canção de embalar
na mais bela melodia:
Dorme, dorme, sem cuidado
porque nenhum mal te alcança,
praga, enguiço ou mau-olhado
tudo vai ser afastado
do teu sono de criança.

TITÂNIA adormece.

UMA FADA – Está tudo a correr bem. Vamos embora. Que uma fique, à distância, a vigiar.

Entra OBERON e espreme o sumo dos amores-perfeitos sobre as pálpebras de Titânia.


OBERON (canta):


Gotinhas de amor-perfeito
Sobre os olhos de quem dorme
Farão com que ao acordar
Quem avistar junto ao leito
Criatura desconforme
Logo se há-de apaixonar.

Caí, gotas, de mansinho,
Sobre as pálpebras cerradas;
Dali tomareis o caminho
Que vos leve ao coração.
E o poder dessa magia
Que há nas gotas perfumadas
Fará que ao chegar o dia
Também lhe chegue a paixão.

(Fala) :


O que vires quando acordares, seja urso ou gato ou cão, leopardo ou javali, o que te aparecer aqui mal o olhares, amarás sem pôr interrogação. E que aquilo com que depares seja feio como carvão.

Sai.
Entram LISANDRO e HÉRMIA.



LISANDRO – Ah, meu amor, vejo que estás exausta de tanto caminhar por este bosque. E eu, para falar verdade, estou perdido. Será melhor esperarmos pelo dia e repousarmos entretanto aqui.


HÉRMIA – Está bem, Lisandro. Eu deste musgo faço minha almofada. Arranja a tua cama algures por ali.


LISANDRO – Junto a ti.


HÉRMIA – Não. Quero estar à vontade no meu canto.


LISANDRO – Quando se casam homem e mulher dormem juntos os dois na mesma cama.


HÉRMIA – Pois é. Porém ainda não casámos. Dorme bem no teu leito improvisado.


LISANDRO – E tu descansa bem, tesouro meu.


HÉRMIA – Tesouro meu, o mesmo te desejo.



Adormecem.
Entra o duende TRAQUINAS.

TRAQUINAS – Já corri acima e abaixo e ao homem não o acho. Onde é que o hei-de encontrar para o sumo lhe deitar? Só silêncio e escuridão. Olha estes que aqui estão. Ah, que sorte. É ele, o tal que à menina trata mal e a quem manda o meu senhor que eu deite o sumo do amor: sim, não há que duvidar, vejo pelo seu trajar que é um nobre da cidade. E a rapariga, como há-de ser infeliz, desprezada, ali tão longe deitada sobre a terra húmida e suja. Antes que ele acorde e fuja o sumo lhe vou deitar. Pronto. E logo que acordar, ao ver aquela donzela ganhará paixão por ela. E uma vez feito o recado para o meu rei volto, apressado.


Entram DEMÉTRIO e HELENA.


HELENA – (exausta) Ainda que me mates, não me deixes!


DEMÉTRIO – Oh, pára, pára de me perseguir!


HELENA – Serás capaz de me deixar aqui no meio deste sítio desolado?


DEMÉTRIO – O problema é teu. Eu vou-me embora.


Sai.



HELENA – Ai que já nem consigo respirar. Tanto lhe supliquei, tão cruel foi. Ah, se eu tivesse de Hérmia a beleza. Seus olhos luminosos, quem lhos deu? Não foi o pranto que os tornou assim. Se fosse o pranto, os meus lhes ganhariam. Como eu sou feia. Os bichos na floresta devem fugir assim que me avistarem. O que admira que Demétrio fuja? Ai, muito me enganaram os espelhos que a Hérmia me quiseram comparar. Mas o que é isto? Este quem é? Lisandro aqui por terra. Adormecido ou morto? Não vejo sangue, não parece ferido. Lisandro, se estás vivo, ouve-me, acorda!


LISANDRO (acorda e vê Helena) – Por teu amor, eu atravesso o fogo, ó minha doce Helena. A natureza não concebeu ninguém mais delicado. Mas onde está Demétrio? É um vilão que farei perecer sob esta espada.


HELENA – Tu não digas tal coisa. Ele ama a Hérmia, mas que mal te faz isso? Que mal faz? É a ti que ela quer. Isso não basta?


LISANDRO – Basta-me o quê? Já estou arrependido do tempo que gastei com tal pessoa. Não é Hérmia que eu amo. És tu, Helena. Não terei eu direito de trocar cardos por rosas? Não terei direito de seguir a razão que me comprova que tu és bem melhor do que ela? Eu fiz erros de julgamento habituais nos homens muito jovens. Mas agora já sei fazer a escolha sem enganos. Vejo no teu olhar a mais bonita das histórias de amor, a mais bem escrita.


HELENA – Por que troças de mim? Que mal te fiz? Desde quando mereço esse sarcasmo? Não achas que já é suficiente que eu nunca de Demétrio tenha obtido um olhar de bondade, também tu resolves rir da minha pouca sorte e fingir que me estás a cortejar? Então, adeus. Nunca esperei de ti uma tão grande falta de respeito.

Sai.



LISANDRO – Não viu a Hérmia. Hérmia, não acordes, nunca te voltes a acercar de mim. Tanta ternura, tanto mel enjoa. Aquilo que mais se amou mais se detesta no momento em que deixa de se amar. Renego o amor que alguma vez senti. Ai, o que eu quero é adorar Helena, servi-la, como um cavaleiro andante.



Sai.



HÉRMIA (levantando-se, assustada) – Ai, Lisandro, socorro, vem tirar esta cobra de cima do meu peito! Senhor! Mas que terrível pesadelo. Vê, Lisandro, que tremo de pavor! Pareceu-me que uma cobra devorava meu pobre coração e que tu rias! Lisandro! O quê, não está aqui? Meu Deus! Nem ouve a minha voz, tão longe foi? Não responde? Ai de mim! Onde estás tu? Vou desmaiar de medo. Volta! Fala! Não estás por perto, então. Vou procurar-te. Ou acho a morte ou te acharei a ti.


Sai.
TITÂNIA continua deitada a dormir.

24 de outubro de 2009

Atenção, Professores e Alunos do 7º Ano : eis Leandro, rei da Helíria

“Quero-vos como a comida quer ao sal” , assim definiu a princesa o seu amor pelo pai, numa velha história da tradição popular.


É essa história que aqui se conta, adaptada ao teatro. Uma história onde se fala de amor, de ingratidão, de sonhos, de remorsos, de longas viagens de aprendizagem, e de como se faz e desfaz um rei – ou seja, do que acontece a um rei quando a coroa lhe cai da cabeça.


Personagens:
Leandro
Bobo
Hortênsia
Amarílis
Violeta
Felizardo
Reginaldo
Simplício
Pastor





1º Acto





Cena I




(No jardim do palácio real de Helíria. Rei Leandro passeia com o bobo)

REI – Estranho sonho tive esta noite … Muito estranho …
BOBO – Para isso mesmo se fizeram as noites, meu senhor! Para pensarmos coisas acertadas, temos os dias – e olha que bem compridos são!
REI – Não sabes o que dizes, bobo! São as noites, as noites é que nunca mais têm fim!
BOBO – Ai, senhor, as coisas que tu não sabes …
REI – Estás a chamar-me ignorante?
BOBO – Estou! Claro que estou! Como é possível que tu não saibas como são grandes os dias dos pobres, e como são rápidas as suas noites … Às vezes estou a dormir, parece que mal acabei de fechar os olhos – e já tocam os sinos para me levantar. A partir daí é uma dança maluca, escada acima escada abaixo: és tu que me chamas para te alegrar o pequeno-almoço; é Hortênsia que me chama porque acordou com vontade de chorar; é Amarílis que me chama porque não sabe se há-de rir se há-de chorar – e eu a correr de um lado para o outro, todo o santo dia, sempre a suspirar para que chegue a noite, sempre a suspirar para que se esqueçam de mim, por um minutinho que seja! Mas o dia é enorme, enorme! O dia nunca mais acaba, e é então que eu penso que, se os reis soubessem destas coisas, deviam fazer um decreto qualquer que desse aos pobres como eu duas ou três horas a mais para …
REI (interrompendo) – Cala-te!
BOBO – Pronto, estou calado.
REI – Não me interessam agora os teus pensamentos, o que tu achas ou deixas de achar. Eu estava a falar do meu sonho.
BOBO – Muito estranho tinha sido, era o que tu dizias …
REI – Nunca me interrompas quando eu estou a falar dos meus sonhos!
BOBO – Nunca, senhor!
REI – Nada há no mundo mais importante do que um sonho.
BOBO – Nada, senhor?
REI – Nada.
BOBO – Nem sequer um bom prato de favas com chouriço, quando a fome aperta? Nem sequer um lumezinho na lareira, quando o frio nos enregela os ossos?
REI – Não digas asneiras, que hoje não me apetece rir.
BOBO – Que foi que logo de manhã te pôs assim tão zangado com a vida? Já sei! O conselheiro andou outra vez a encher-te os ouvidos com as dívidas do reino!
REI – Deixa o conselheiro em paz … E o reino não tem dívidas, ouviste?
BOBO – Não é o que ele diz por aí, mas enfim … Então, se ainda por cima não deves nada a ninguém, por que estás assim tão mal disposto? Terá sido coisa que comeste e te fez mal? Aqui há dias comi um besugo estragado, deu-me volta às tripas, e olha …
REI (interrompendo-o) – Cala-te que já não te posso ouvir! (Suspira) Ah, aquele sonho! Coisa estranha aquele sonho …
BOBO – Ora, meu senhor! E o que é um sonho? Sonhaste, está sonhado. Não adianta ficar a remoer.
REI – Abre bem esses ouvidos para aquilo que te vou dizer!
BOBO (com as mãos nas orelhas) – Mais abertos não consigo!
REI – Os sonhos são recados dos deuses.
BOBO – E para que precisam os deuses de mandar recados? Estão lá tão longe …
REI – Por isso mesmo. Porque estão longe. Tão longe, que às vezes nos esquecemos que eles existem. É então que nos mandam recados. Mas os recados são difíceis de entender. Acordamos, queremos recordar tudo, e muitas vezes não conseguimos.
BOBO (aparte) – É o que faz ser deus … Eu cá, quando quero mandar recado, é uma limpeza : “Ó Brites, guarda-me aí o melhor naco de toucinho para a ceia!” (Ri) Não preciso de mandar os meus recados pelos sonhos de ninguém!
REI – Que estás para aí a resmonear?
BOBO – Nada, senhor! Reflectia apenas nas tuas palavras.
REI – E bom é que nelas reflictas. Apesar de bobo, quem sabe se um dia não irão os deuses lembrar-se de mandar algum recado pelos teus sonhos … (Pára, de repente. Fica por uns momentos a olhar para o bobo, e depois pergunta, com ar muito intrigado) Ouve lá, tu também sonhas?

(Aqui a cena fica suspensa, e a luz centra-se apenas no bobo, que fala para os espectadores na plateia)









BOBO – Será que eu sonho? Será que eu choro? Será que é sangue igual ao deles o que me escorre das costas quando apanho chibatadas por alguma inconveniência que disse? Que sabem eles de mim? Nem sequer o meu nome eles conhecem. Pensam que já nasci assim, coberto de farrapos, e que “bobo” foi o nome que me deu a minha mãe. (Pausa) Se é que eles sabem que eu tenho mãe, e pai, e que nasci igualzinho ao rei, ao conselheiro, a todos os nobres deste e doutros reinos. E quando um dia morrermos e formos para debaixo da terra, tão morto estarei eu como qualquer deles.

(A acção recomeça onde estava)

BOBO (rindo) - Não, meu senhor! Só os grandes fidalgos é que sonham! Nós somos uns pobres servos … Sonhar seria um luxo, um desperdício! De resto, que podiam os deuses querer deste pobre louco? Que recados teriam para lhe dar?
REI – És capaz de ter razão … (Suspira) Nem sabes a sorte que tens!
BOBO (irónico) – Sei sim, meu senhor! Sou uma pessoa cheia de sorte! Todas as manhãs, quando o frio me desperta e sinto o corpo quebrado de dormir na palha estendida no chão, então é que eu percebo como sou feliz …
REI – Zombas de mim?
BOBO – Zombar, eu, senhor? Zombar de quê se as tuas palavras são o eco das minhas?
REI – Pareceu-me …
BOBO – Deve ter sido de teres acordado maldisposto por causa desse tal sonho.
REI – Ah, meu bobo fiel, como eu às vezes gostava de estar no teu lugar, sem preocupações, sem responsabilidades …
BOBO – É para já, senhor! Toma os meus farrapos e os meus guizos, e dá-me o teu manto, a tua coroa, o teu ceptro …
REI (agitado) - Cala-te! … Era isso mesmo que se passava no sonho … A coroa … o manto … o ceptro … tudo no chão … eu a correr, mas sem poder sair do mesmo sítio … e a coroa sempre mais longe, mais longe … e o manto … e o ceptro … e as gargalhadas …
BOBO – Gargalhadas? Não me digas que eu também entrava no teu sonho?
REI (como se não o tivesse ouvido) - … as gargalhadas delas … e como elas se riam … riam-se de mim … e a coroa tão longe … e o manto tão longe … e o frio … tanto frio que eu tinha! …
BOBO – Perdoa-me, senhor, mas isso são tolices, dizes coisas sem nexo …Foi alguma coisa que comeste ontem, tenho a certeza.
REI – Não são coisas sem nexo: são recados. Recados dos deuses (Aproxima-se do bobo e diz-lhe ao ouvido) Tenho medo!
BOBO – Shiuu! NUNCA DIGAS ISSO! Já viste o que podia acontecer se os deuses te ouvissem? Se descobrissem que os reis também têm medo? Se descobrissem que os reis podem mesmo ficar a-pa-vo-ra-dos?
REI (afasta o bobo e retoma a sua dignidade real) – Tens razão! Quem foi que aqui falou em medo? Eu sou o rei Leandro, senhor do reino da Helíria! Tenho um exército de homens armados para me defenderem. Tenho um conselheiro que sabe sempre o que há-de ser feito. Tenho espiões bem pagos, distribuídos por todos os reinos vizinhos, que me informam do que pensam e fazem os meus inimigos …
BOBO – Tens inimigos, senhor?
REI – Claro que tenho inimigos. Para que serve um rei que não tem inimigos?
BOBO – Realmente não devia ter graça nenhuma. Eu cá, de cada vez que me armam uma cilada e acabo espancado no pelourinho, também digo sempre “Ainda bem que tenho inimigos, ainda bem que tenho inimigos” … Se ninguém me batesse, se ninguém me cobrisse o corpo de pontapés, acho mesmo que era capaz de morrer de pasmo …
REI – Zombas de mim?
BOBO – Que ideia, senhor! Como posso zombar de ti, se penso como tu pensas?
REI – Parecia …
BOBO – É o que eu digo: efeitos desse maldito sonho. Por que não o esqueces de vez?
REI – Tens razão. Farei por esquecê-lo. Não tenho motivos nenhuns para estar inquieto. Ainda por cima … (com um sorriso enlevado) ainda por cima com estas flores que são a luz dos meus olhos! (Aponta para Hortênsia e Amarílis, que entram nesse momento, com as suas aias)


Cena II
Hortênsia, Amarílis, Rei, Bobo, Aias



HORTÊNSIA – Faláveis de nós, meu pai?
REI – Pois de quem mais poderia ser? Não sois vós o sol que alumia a minha velhice?
AMARÍLIS – Velhice? Quem vos ouvir pensará que o vosso fim está perto! Meu pai : vós sois ainda um jovem, estais agora na plena posse de vossas faculdades! …
HORTÊNSIA – Tomaram muitos príncipes moços, dos reinos vizinhos, terem a vossa agilidade, o vosso tacto, a vossa inteligência, a vossa lucidez …
BOBO – A vossa quê?!
HORTÊNSIA (impaciente) – Lucidez.
BOBO – Ah! Pareceu-me ouvir falar em Lúcifer, e eu com esse não quero conversas! (Canta:)
Foge de mim, Lúcifer
Que te esmago se eu quiser
Com pilão ou com colher
Para depois te comer
Va de Retro Satanás
Que te meto no cabaz
Onde esmagado serás
Pelas pinças da tenaz
Vai à vida Belzebu
Mete os cornos no baú
Que te embrulho em pano-cru
E te como com peru
Glu glu glu glu glu glu glu

AMARÍLIS – Cala-te, impertinente! Só dizes inconveniências! És a vergonha desta corte.
BOBO – Ah! Agora sou impertinente! Agora sou a vergonha desta corte!
REI – Não estás a ser um modelo de virtudes, hás-de concordar …
BOBO (para Amarílis) – Pois é, mas há bocado, quando me chamaste para eu te cantar umas trovas sobre a tua irmãzinha (aponta para Hortênsia), já eu te servia, já eu não dizia inconveniências …
HORTÊNSIA (intrigada) – Trovas a meu respeito?
AMARÍLIS (aflita) – Não foi nada do que estás a pensar …
HORTÊNSIA – O que vem a ser isso?
AMARÍLIS – Nada, nada …
BOBO – Quem nada não se afoga …
HORTÊNSIA – Quero saber, já! O que foi que cantaste a meu respeito, bobo imbecil?
BOBO – Eu? Eu não cantei nada! Posso ser imbecil, mas não sou maluco! … Ela (aponta para Amarílis), ela é que me pediu. Que estava aborrecida, dizia ela. Que eu inventasse cantoria afinada a teu respeito, coisa caprichada, que a fizesse rir à gargalhada …
HORTÊNSIA – Não faltava mais nada senão ser motivo de chacota para a minha irmã! E afinal que foi que tu cantaste, velho doido?
BOBO – Nada, senhora, que eu gosto muito da minha pele e não me estava a apetecer ser logo chicoteado pela manhã, se por acaso tu me ouvisses.
REI – Não és tão doido como pareces …
BOBO – Mas ela é que não se calava … e lá ia mandando o mote …
AMARÍLIS – Não lhe dês ouvidos!
BOBO (imitando-a) - “Tu que tão bem sabes cantar”, dizia ela, “ bem podias versejar agora para me pores bem-disposta”, dizia ela, “bastaria olhares para Hortênsia, para o seu ar de galinha emproada”, dizia ela …
HORTÊNSIA (esbraceja, agarrada por duas aias) – Maldita!
BOBO - … “para a sua voz de gata em noite de lua cheia”, dizia ela, “para o seu andar que mais parece a jumenta do moleiro quando sobe a encosta carregada de sacos de farinha”, dizia ela …
HORTÊNSIA – “A jumenta do moleiro” … Eu mato-a! Eu mato-a!
AMARÍLIS (agarrada por duas aias) – Eu dou cabo de ti, miserável linguarudo!
BOBO - … “para os sorrisinhos de sonsa que ela manda para cima de toda a gente”, dizia ela …
(As duas irmãs conseguem soltar-se dos braços das aias e andam à bulha uma com a outra, insultando-se mutuamente, enquanto o rei tenta apartá-las)
REI – Então, minhas flores, que triste espectáculo estais a dar! Imaginai que vossos noivos entravam agora aqui e vos viam. Que iriam eles dizer?
AMARÍLIS – Iriam decerto ordenar que este maldito bobo fosse metido a ferros na mais escura masmorra deste castelo!
HORTÊNSIA – Iriam decerto exigir explicações de Amarílis!
AMARÍLIS – Ora, minha irmã! Tem juízo! Estás a dar ouvidos a balelas de um louco que só mesmo a grande bondade de nosso pai mantém nesta casa … Quando me casar, bobo assim não entra no meu palácio! Antes morrer de tédio a vida inteira!
REI – Ora vá, fazei as pazes, que eu não gosto de ver as minhas flores tão alteradas.


Cena II

Os mesmos, mais Violeta

VIOLETA - Mas que barulheira infernal! que vem a ser isto?

BOBO (voltando-se para a plateia, canta) -

Que lhe hei-de chamar? Berrata? Bulha? Inveja? Zaragata? Tareia? Surra? Bravata entre duas castelãs? Antes que venha a chibata, vou dizer que é ... serenata, e que isto é amor de irmãs! ...

VIOLETA - Estava eu a tocar o meu alaúde quando, de repente, o barulho foi tanto, que parecia que tinha rebentado uma tempestade!

HORTÊNSIA - Vai, vai tocar o teu alaúde, que a conversa não é contigo ...

AMARÍLIS - Foi apenas uma breve troca de palavras em tom mais elevado. Não te importes, são coisas de gente crescida ...

VIOLETA - Que mania a vossa de ainda me considerarem uma criança! (virando-se para o pai) Pois não é verdade, meu pai, que o Príncipe Reginaldo chegou ao nosso reino há uma semana para pedir a minha mão?

REI (aborrecido) - Falemos de outros assuntos ...

VIOLENTA - É ou não verdade?

REI - É ... é verdade ... mas não quero pensar nisso ... estou mais preocupado com outras coisas ...

BOBO (aparte) - Mil ratazanas me mordam se não é ainda a porcaria do sonho a atazanar-lhe o juízo!

VIOLETA - Ouvistes, minhas irmãs? O Príncipe Reginaldo está neste reino, e quer casar comigo!

HORTÊNSIA e AMARÍLIS (em coro) - O Príncipe Reginaldo?! Esse pelintra?

REI - Meninas! Então! Tende tento na língua, minhas flores!

BOBO (aparte) - E depois eu é que digo inconveniências ...

REI - Dizias alguma coisa, bobo?

BOBO - Dizia que o Príncipe Reginaldo é um belo moço, não desfazendo ...

HORTÊNSIA e AMARÍLIS - Belo moço? Deixa-me rir! (cantam)

HORTÊNSIA - Tem olhos tortos

AMARÍLIS - E ratos mortos nas algibeiras!

HORTÊNSIA - Anda de lado todo entrevado

AMARÍLIS - Só diz asneiras!

HORTÊNSIA - Se faz calor, traz cobertor, meias de lã

AMARÍLIS - E se faz frio, nada no rio pela manhã

HORTÊNSIA - Ri se está triste!

AMARÍLIS - Chora de um chiste!

HORTÊNSIA - É de fraca rês ...

AIAS (em coro) - Dizem que é louco!

HORTÊNSIA e AMARÍLIS (ao ouvido de Violeta) - Vai fazer pouco de nós as três!

VIOLETA - Não vos apoquenteis, irmãs! Se for tudo isso que dizeis, eu saberei como viver com ele. É comigo que ele quer casar, e não com qualquer de vós. O problema é meu.

HORTÊNSIA - E irás deixar sozinho o nosso pai?

AMARÍLIS - Olha que ele já não é criança! Vê como está alquebrado, como as suas forças lhe vão faltando, como se arrasta com dificuldade ...

BOBO - Mau ... Há bocado era um jovem na flor da idade, agora já se arrasta com dificuldade ... Muito depressa envelhecem os reis, palavra de honra ...

REI - Que murmurais vós a meu respeito?

VIOLETA - Senhor, minhas irmãs parecem muito preocupadas com o meu casamento ...

REI - N ão quero ouvir falar de casamentos. E era de mim que faláveis, que eu bem vos ouvi!

HORTÊNSIA - Senhor, se era de vós que falávamos, decerto seria para gabarmos o vosso andar escorreito, as vossas palavras sempre justas e acertadas ...

BOBO (aparte) - Fora as que eu lhe oiço quando está sozinho ...

AMARÍLIS - Senhor, se era de vós que falávamos, decerto seria para louvar a vossa bondade e o vosso desprendimento pelos bens materiais. Nunca me lembro de vos ver agarrado aos cofres de ouro do reino, e sempre que a minha vaidade de mulher desejou mais um vestido, um toucado, ou uma fita para os cabelos, sempre os meus desejos foram realizados. Pai mais bondoso que vós não existe decerto neste mundo!

REI (sorrindo) - Razão tive em escolher para vós nomes de flores : sois as flores da minha vida, e melhores filhas não devem ter existido à face da terra!

BOBO - Então e a mim, ninguém me elogia?

(A cena pára, e o Bobo dirige-se à plateia)

Salamaleques de um lado, salamaleques do outro, confesso que já estou a começar a ficar um pouco farto ... "Sois o melhor pai do mundo" ... "Sois as flores do meu jardim" ... Então e eu? Não há por aí ninguém que saia em minha defesa? Claro que eu não exijo que digam que sou o sol das vossas vidas, ou a flor dos vossos jardins ... Se calhar vocês nem têm jardim ... Mas ao menos podiam dizer que eu era um bobo jeitosinho, bem-apessoado, capaz de levar uma moça ao altar, o melhor bobo que vocês alguma vez conheceram. A propósito, como vamos de bobos neste reino? Se aquilo ali der para o torto, acham que me safo por cá? Que tais as condições de trabalho? Temos caixa, reforma, passe social, lugares cativos no Benfica ou no Sporting, essas coisas? E chibata? Apanha-se muita chibatada cá por este reino? Bom, informem-se disso que, assim que acabar a peça, a gente conversa. Mas agora tenho de voltar para a minha história, senão vocês nunca mais sabem como aquilo acaba! Adeusinho!

(A acção é retomada onde estava)

REI (para Violeta) - Estás tão calada ...

VIOLETA - Perdoai, meu pai, se não vos divirto tanto como as minhas irmãs ...

REI - T udo te perdoo, minha flor entre as flores! Que bem eu fiz em escolher para ti o nome de Violeta : poderá parecer uma flor modesta, mas o seu perfume é tão intenso que nunca passará despercebida onde quer que se encontre.

HORTÊNSIA - Mas Hortênsia é flor de muito maior porte!

BOBO - Sabes que o povo diz que as Hortênsias são mulheres caprichosas e inconstantes?

HORTÊNSIA - E eu quero lá saber do povo ...

AMARÍLIS - E a flor da amarílis é de rara beleza ...

BOBO - Diz o povo que é mulher artificiosa e enganadora ...

AMARÍLIS - O povo? Eu nem sei o que é o povo!

Alice Vieira : conhecem?


Alice Vieira é actualmente a escritora portuguesa de livros para jovens mais traduzida e divulgada no estrangeiro.


"A minha infância foi um corredor muito grande que rangia pela noite dentro, os termómetros com que me viam a febre, o sabor adocicado do Ceregumil que me faziam beber porque tinha vitaminas .
A minha infância foi não ter tido amigos da minha idade, não ter ido à escola, não ter esfolado os joelhos, não ter sujado sequer os bifes de folhos que me vestiam sobre os fatos .
A minha infância foram os amigos encontrados nas páginas dos livros, O Feiticeiro de Oz, As Aventuras de Tibicuera, O Romance da Raposa, O Menino Enjeitado, as Aventuras de Sandokan, do Lagardére, tantos, tantos. A minha infância foi também uma velha máquina de escrever, onde tentei juntar letras, fazer palavras, e que bonito era aquele som! A minha infância, acho que só começou quando entrei no Liceu Filipa de Lencastre e pela primeira vez brinquei com gente da minha idade. Da minha infância, acho que só gostei da máquina de escrever. Da minha infância, só isso guardo : está aqui, é nela que hoje escrevo. E o som ainda é o mais bonito de todos ."

Antologia Diferente: De que são feitos os sonhos?Porto: Areal Editores, 1986, pág. 183


" Porque escrevo para crianças?
Todos nós gostamos de encontrar um culpado para as aventuras em que nos metemos ... É cómodo, é fácil, a gente aponta e diz: «foi por causa dele».
Pois eu também tenho um culpado: posso espetar bem o meu dedo indicador e dizer: - O culpado foi ele. Ele é que me levou para esta vida...
Neste caso foi ela. Acho que se não tivesse sido a queixa da minha filha, já lá vão uns sete anos, eu não me teria metido nisto... Portanto, a culpa foi toda, toda dela!
Um dia a Catarina chegou a casa e disse:
- Já li todos os livros que há para ler.
Fez uma pausa e disse:
- E agora, o que é que leio?
A Catarina tinha então nove anos, lia muito: não, evidentemente todos os livros que existiam, mas todos os que habitualmente se davam a quem tinha a sua idade .
- E agora ? – repetia ela, com aquele ar solene que arranja nas ocasiões difíceis... Eu ia tentando dar uma ajuda (lê este, e mais este, e mais aquele) mas eram ajudas inuteis (já li, já li, já li...). Foi então que dei comigo a dizer-lhe:
- Então, se já leste tudo o que há, vamos nós as duas escrever um livro!
Meti papel à máquina e do bater dos dedos nas teclas saiu esta frase: «Quando a minha irmã nasceu o meu desapontamento foi tão evidente que a minha mãe, abafada entre lençóis e cobertores da cama do hospital, me disse: Ela vai crescer num instante!»
Olhei para esta frase, uma, duas, muitas vezes, e a partir dela outras vieram, e mais outras, até que o primeiro capítulo do livro estava feito. E cada capítulo que nascia era lido e discutido com a Catarina, feliz de participar naquela aventura ...
E nunca mais parei. Tudo por causa da Catarina. Que hoje continua a ler tudo, e que escreve melhor do que eu .

Antologia Diferente: De que são feitos os sonhos?Porto: Areal Editores, 1986, pág. 181

22 de outubro de 2009

As Obras seleccionadas - Língua Portuguesa


•7º Ano (8 turmas em 2009/2010)
(quatro professores de Língua Portuguesa)



a) Leandro, o Rei da Helíria, de Alice Vieira
b) O mundo em que vivi, de Ilse Losa
c) Doze naus, de Manuel Alegre

a) Texto Dramático Grau de dificuldade I
b) Texto Narrativo Grau dificuldade II
c) Texto Poético Grau dificuldade II


8º Ano (5 turmas em 2009/2010)
•(dois professores)



a) A Lua de Joana, de Maria Teresa Maia Gonzalez
b) Sonho de uma Noite de Verão, de Hélia Correia (adaptado)
c) Anos 70: poemas dispersos, de Alexandre O’Neill

a)Texto Narrativo/Epistolar Grau de dificuldade I
b)Texto Dramático Grau de dificuldade II
c) Texto Poético Grau de dificuldade II


•9º Ano (6 turmas em 2009/2010)
•(quatro professores)



a) O Principezinho, de Saint-Exupéry
b) O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway
c) Dia do Mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen

a)Texto Narrativo Grau de dificuldade I
b)Texto Narrativo Grau de dificuldade I
c)Texto Poético Grau de dificuldade III

8ª Actividade - Criação de Biblioteca Virtual

8ª) Criação de biblioteca virtual (tradução de textos originais)






Objectivos:

•Divulgar as diversas culturas e origens dos alunos e textos nas suas línguas maternas
•Promover o enriquecimento cultural pelo contacto com as línguas maternas dos alunos de diferentes países de origem
•Difundir, nos alunos de PLNM, o gosto pela leitura e pela escrita
•Construir, progressivamente, uma biblioteca virtual de textos de diferentes línguas

Calendário: ao longo do ano

Especificidade: publicação de textos, produzidos em português por alunos de PLNM, traduzidos para a sua língua materna

• Dinamizadores: alunos de PLNM
• Público-alvo: alunos do Ensino Básico e Secundário

7ª Actividade - Manutenção do blogue esahlca.blogspot.com

7ª) Manutenção de blogue sobre a leitura


Objectivos:


•Fomentar o gosto pela leitura e escrita de textos em suporte digital, podendo fazer uso de imagens ilustrativas, como apoio ao objectivo da comunicação estabelecida;
•Incrementar a capacidade de produzir pequenos textos com diferentes objectivos comunicativos (informativos, de resumo de actividade, de opinião, entre outros);
•Melhorar o domínio das técnicas de escrita e expressão pessoal, através do registo escrito (publicações-post e/ou comentários) num suporte interactivo;
•Estimular a prática da recomendação da leitura dos alunos entre si;
•Contribuir para a actualidade e riqueza do blogue, através da participação, individual ou em grupo;
•Motivar para a cooperação na actividade e para a interacção virtual (através de pontes-links) com o universo da internet (blogosfera e sítios diversos).

Calendário: ao longo do ano

Endereços : (esahlca.blogspot.com ou buonoventu@hotmail.com)



• Dinamizadores: alunos de Oficina de Escrita/alunos em geral/professores/outros
• Público-alvo: alunos do Ensino Básico e Secundário

6ª Actividade - "A Estação do Livro" - Fórum Cultural do Seixal

6ª) Estação do Livro - 1º Período (actividades nº 1,2 e 5)





Objectivos:

•adquirir múltiplas competências, destacando a de leitura, acesso, uso e produção de informação em diferentes suportes
•promover boas práticas e princípios de cooperação e partilha
•contribuir para dotar a equipa de professores e outros colaboradores com informação e formação adequadas


Calendário: Novembro


• Dinamizadores: Biblioteca Municipal (Fórum Cultural do Seixal)
• Público-alvo: Selecção de Turmas do Ensino Básico e Secundário



•Actividade 1.

On the road – Jack kerouac –


Dinamizador – Tiago Gomes e Tó - uma turma do secundário - auditório São Vicente, Paio Pires - com transporte

“É de facto a viagem, uma estrada perdida e infinita para onde os dois performers e o vídeo remetem o espectador, para a route 66, América de todos os sonhos que aqui são todas as estradas do mundo: vias rápidas, estradas secundárias, deserto, cidades perdidas na noite e becos sem saída.”


O espectáculo-viagem tem a duração de uma hora.

•Actividade 2.





VER para além do óbvio E OLHAR sem ser com os olhos


10 GIGAS DE LIVROS – O ENIGMA DA FELICIDADE


Dinamizador: Mundo Brilhante – duas turmas – 3.º ciclo ou secundário – anfiteatro da ESA



• Actividade 5.





• Conto (lendas e histórias de Cabo-Verde) com Celina Pereira – 2 turmas - preferencialmente no anfiteatro da ESA

5ª Actividade - Voluntariado de Leitura


5ª) VOLUNTARIADO DE LEITURA




Objectivos:


•Desenvolver o gosto pela leitura podendo fazer uso do código para-verbal e de imagens ilustrativas, como apoio ao objectivo da comunicação estabelecida;
•Melhorar o domínio das técnicas de comunicação, através da leitura/expressão oral
•Consolidar os laços de participação pessoal ou colectiva pela cooperação e interacção na actividade.

Calendário: ao longo do ano


• Animadores: alunos/professores/KCenas
• Público-alvo: Selecção de Turmas do Ensino Básico

4ª Actividade - Exposições


4ª) Exposições



Objectivos:


•Dar visibilidade ao prazer de ler e escrever

Calendário: Ao longo do ano
• Público-alvo: Toda a Comunidade Educativa
• Dinamizadores: Equipa HL&Cª e CRE

3ª Actividade - Espectáculos, recitais e animações!


3ª) Espectáculos/recitais/animações



( 1º Período :Novembro) Até final do ano lectivo


Objectivos:

•Enriquecer o contacto com o texto literário
•Alargar a experiência da audição/visionamento da expressão oral a partir do texto escrito
•Contactar com diferentes formas de expressão, para além das verbais
•Fruir a experiência da leitura em formatos diversificados
•Fomentar as competências da expressão oral e escrita, pela apresentação das suas ideias e opiniões em registo adequado, claro e inteligível;
•Valorizar o texto dramático através da sua representação


Calendário: Ao longo do ano



• Animadores: KCenas/Animateatro, na última semana de Novembro
• Público-alvo: Selecção de Turmas do Ensino Básico

2ª Actividade : Concurso Visão Júnior




2ª) Concurso Visão Júnior




•“Aventuras na nossa terra” (inscrição até 30 de Outubro)


•Objectivos:


•Escrever uma história inventada com base em 4 factos reais típicos da terra, da localidade onde está inserida a escola
•Pesquisar factos reais relacionados com o local onde fica a escola
•Participar num projecto a nível nacional



•Calendário: Ao longo do ano lectivo


• Especificidade: Concurso a nível nacional, aberto a todas as escolas do ensino básico


• Dinamizadores/Responsáveis: Revista Visão Júnior


• Público-alvo: Turma(s) do Ensino Básico (Coordenada(s) por um Professor da Turma

Inscrevam-se a tempo, garantam o vosso lugar!

Actividades transdisciplinares do HL&Cª a ocorrer no 1º Período:


1ª) Semana da leitura


Objectivos:

•Promover a progressão na leitura de ano para ano ou de ciclo para ciclo
•Desenvolver o gosto pela leitura, a partir do grau de motivação e envolvimento pessoal na interacção com o texto;
•Desenvolver a capacidade de identificar os aspectos ou elementos técnicos usados no texto (descrição expressiva, indicação conjuntural de elementos sensoriais, entre outros);



Calendário: Última semana do 1º Período:
• 14/12/2009 – Leitura em sala de aula de textos, por alunos do ensino secundário

(Todas as Turmas do Ensino Básico)
• 15/12/2009 – “Posso ler um poema?” – Leitura em sala de aula de poemas alusivos ao Natal, por alunos do mesmo ano

(Todas as Turmas do Ensino Básico)

. 16/12/2009 – “Histórias inacabadas” – voluntariado de leitura (no Anfiteatro) por professores (Selecção de Turmas do Ensino Básico)

. 17/12/2009 – Leitura dramatizada, no Anfiteatro, por animadores (Selecção de Turmas do Ensino Básico)

A nossa Premissa, o Ponto de Partida!








O Histórias, Letras & Cª, é um projecto de promoção da leitura, que serve a seguinte premissa:



"Envolver os alunos na prática da leitura,
usando estratégias diversificadas,
é um dos meios mais eficazes
para promover a mudança social"



O Projecto Curricular de Turma :



•torna-se o veículo que permite a colaboração cooperativa dos professores do CT
•articula as competências prioritárias definidas
•alarga o projecto a todos os alunos do ensino básico, integrado, expressamente, na didáctica de algumas disciplinas (Língua Portuguesa, PLNM, Oficina de Escrita), e transversalmente, em estratégias e/ou actividades desenvolvidas.









O PCT passa a integrar um conjunto de actividades, as quais visam a consecução dos seguintes objectivos:


–Estimular o prazer de ler e desenvolver esse hábito nos alunos visando elevar os níveis de aprendizagem e os resultados escolares.


–Envolver todos os professores do CT activamente na promoção da leitura no horário lectivo e noutras actividades educativas.


–Integrar, no trabalho lectivo das várias disciplinas, o desenvolvimento da leitura autónoma, a pesquisa e a promoção do prazer de ler, na aula e para além dela.


–Envolver os alunos no planeamento das actividades destinadas à promoção do prazer de ler e à sua difusão na escola.


–Encorajar os alunos a usar a internet (blogue do HL&Cª) para publicar comentários, recomendações de leitura e textos criativos originais.


–Incentivar nos alunos a utilização da biblioteca para pesquisa de conteúdos das áreas curriculares e para fruição da leitura recreativa (revistas, jornais, banda desenhada…).


–Avaliar as atitudes dos alunos em relação à leitura com vista à selecção das modalidades de apoio adequadas ao desenvolvimento pleno das respectivas potencialidades.








Bem-vindo, ano lectivo 2009/2010!







No começo do novo ano lectivo,


o arranque do Histórias, Letras & Cª!


A todos os Alunos, Professores, Funcionários, Encarregados de Educação e participantes de Associações e parcerias, as boas-vindas a este espaço, que para vós é concebido, criado e dedicado!


Da parte da Equipa, a professora Gabriela Benavente

16 de julho de 2009

Sessão de Agradecimento: entrega de serigrafias- O Coreto!



No passado dia 14 de Julho, a ESA agradeceu e homenageou as associações Animateatro e rato adcc, com as quais estabeleceu parceria ao longo deste ano lectivo, no âmbito do H,L & Cª e, portanto, nas actividades inerentes ao Plano Nacional de Leitura.


Muitas turmas participaram nas actividades promovidas , as quais poderão ser consultadas e revistas no presente blogue, caderno diário do H, L & Cª.


Na pequena cerimónia, o Director da Esa (Professor Simão Cadete) realçou a importância das parcerias para a optimização de resultados em geral, tendo oferecido uma serigrafia feita a partir de um trabalho sobre o Coreto de Amora, de uma aluna nossa.


Recompensados desta forma, espelhou-se no rosto dos representantes destas associações o contentamento pelo gesto de reconhecimento, bem como a vontade de tornar a colaborar com a ESA.

Não podia o momento passar ao lado deste nosso blogue!

Aos Alunos e Professores, aos elementos do Centro de Recursos, às Associações e a toda a Comunidade Educativa, o nosso bem-haja!